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Tininha
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« em: Julho 19, 2008, 14:12:15 » |
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Dieta da fertilidade de Harvard promete ajudar a engravidar
Mudar a dieta pode aumentar as chances de engravidar? “A Dieta da Fertilidade”, um novo livro escrito por pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard, sugere que sim -– entre outras coisas, tomar sorvete e suprimir a carne são hábitos que podem ajudar a aumentar a fertilidade.
O problema é que a maior parte da pesquisa por trás do livro não está à altura do alarde que ele causou. “A Dieta da Fertilidade” não é o primeiro livro a defender as mudanças nutricionais como forma de aumentar as chances de gravidez; uma busca na Internet traz vários títulos como “A Dieta da Infertilidade”, “Alimentos Férteis” e assim por diante.
Essencialmente, as recomendações do livro são bastante comuns: uma dieta saudável para o coração, com mais frutas e vegetais, menos carne e carboidratos ruins, mais gorduras saudáveis e pouca ou quase nenhuma gordura trans.
Apesar de a mensagem ser conhecida, a grande diferença é de que o novo livro vem de Harvard. Como resultado, ele recebeu uma propaganda invejável. A revista Newsweek até mesmo dedicou a capa da edição de 10 de dezembro ao livro.
A noção de que algo tão simples como se alimentar melhor pode melhorar a fertilidade certamente vai aumentar a esperança de dezenas de milhares de casais. Mas, infelizmente, as descobertas do livro não valem para a maioria das pessoas com problemas de infertilidade. Elas são baseadas em mulheres com infertilidade de ovulação, uma condição causada por ovulação irregular que afeta menos de um terço das mulheres inférteis.
E apesar de nunca ser uma má idéia melhorar a nutrição, não há evidência definitiva de que muitas das mudanças alimentares descritas pelo livro serão capazes de aumentar as chances de uma mulher ficar grávida.
“É marketing”, diz Jamie A. Grifo, uma respeitável pesquisadora do assunto, diretora do Centro de Fertilidade da Universidade de Nova York. “Há um limite para as conclusões que se podem tirar a partir da forma pela qual eles conduziram o estudo.”
Os resultados sobre fertilidade do Nurses Health Study vêm de uma pesquisa com mais de 18 mil mulheres que tentavam engravidar durante um período de oito anos. Apesar de isso soar como um número alto, apenas 400 dessas mulheres foram diagnosticadas com infertilidade relacionada à ovulação irregular. Muitas das associações entre nutrição e fertilidade descritas no livro são baseadas em um número relativamente pequeno de mulheres.
É importante notar que apesar de o estudo mostrar uma associação forte entre alguns hábitos e a fertilidade, ele não prova que a mudança de dieta das mulheres foi o que fez a diferença. Além disso, foram as próprias mulheres que descreveram seus hábitos alimentares, e apenas algumas vezes em um intervalo de alguns anos. Os críticos apontam que a maioria das pessoas não consegue nem se lembrar do que comeu na noite passada, quanto mais durante o período de alguns anos.
Duas recomendações de “A Dieta da Fertilidade” são respaldadas por argumentos cientificamente mais consolidados. Para uma mulher com ovulação irregular, atingir um peso saudável e tomar um suplemento multivitamínico com ácido fólico pode aumentar suas chances de engravidar. Estar acima ou abaixo do peso é um fato comprovado para suprimir a ovulação, porque ambas as condições mexem com os níveis naturais de hormônios na mulher.
Em um estudo amplo sobre o papel das vitaminas e do ácido fólico para reduzir a incidência de anomalias no tubo neural dos bebês, os pesquisadores encontraram um padrão que não esperavam. As mulheres que tomavam vitaminas não estavam apenas mais aptas a conceber, mas também tinham mais chances de ter filhos gêmeos.
As recomendações de uma dieta sadia para o coração que estão por trás de “A Dieta da Fertilidade” podem influenciar a ovulação porque afetam os níveis de insulina. Os níveis de insulina, por sua vez, podem afetar a globulina que se liga aos hormônios sexuais, que pode afetar a quantidade de andrógenos livres no corpo da mulher. Uma quantidade alta desses hormônios pode suprimir a ovulação.
O estudo encontrou associações entre a fertilidade e alguns hábitos alimentares, mas não testou se adotar novos hábitos faria uma diferença. Walter C. Willett, especialista em nutrição de Harvard e co-autor do livro, reconhece as limitações dos seus resultados, mas acredita ser “muito provável” que a dieta vai ajudar algumas mulheres, dado o que é conhecido sobre a influência alimentar em outras funções do corpo como a pressão arterial.
“Os princípios básicos são compatíveis com uma boa saúde e prevenção de algumas das complicações da gravidez”, diz ele. “Esta é uma boa estratégia alimentar de qualquer forma. Será certamente uma abordagem mais segura e modesta em relação à fertilidade do que cair direto na medicação pesada.”
A recomendação mais fraca de “A Dieta da Fertilidade” é a de que sorvete e laticínios integrais são capazes de aumentar a fertilidade. Mesmo os autores do estudo fazem a ressalva no livro de que seria um “exagero” dizer que existe um “punhado” de estudos sobre o assunto.
Para seu crédito, os autores do livro reconhecem logo no início que a pesquisa tem suas limitações e que a dieta não garante a gravidez. Jorge E. Chavarro, o autor principal, disse que foi um desafio equilibrar as limitações da pesquisa científica com as demandas comerciais da publicação de um livro. Mesmo o simples título do livro, acrescentou, não representa a complexidade das descobertas.
“Eu o descreveria como um padrão de dieta aparentemente capaz de aumentar a fertilidade, mas isso não soa muito bem para os leitores”, diz ele. “O livro não é a cura para a infertilidade. Fomos muito cuidadosos em explicar o que pensamos que essas mudanças alimentares podem fazer e o que elas não podem.”
Fonte: G1
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