
Dia 23/07/2011, 39 semanas + 5 dias... Mais um dia como os outros, dores zero, apenas o desconforto normal de final de gestação...
Recebi a visita da minha prima (futura madrinha do Pedro) e do noivo cá em casa, tudo normal, nada se passava...
ela bem que fez festinhas à barriguita e falou com o futuro afilhado para ele nascer, mas nada de nada...

Eles foram embora, e sem exagerar, passado 1h no máximo, comecei com umas dores fortes, vindas do nada, que iam e vinham... cada vez mais rápido e mais dolorosas...
o marido ficou logo eufórico, dizendo que já ia passar a roupa a ferro para irmos embora, para eu ir tomar banho, etc., etc. 
A verdade, é que eu estava mesmo a ver que o meu rei vinha aí...
Liguei para a minha prima (ela fazia questão de nos levar ao hospital) a dizer o que se passava, que se pôs logo a caminho...
çPouco depois ela chegou, e lá fomos então para o hospital... cada um mais nervoso que o outro...

Ao chegar lá, eram 20:36, fui logo atendida, pois não estava ninguém à minha frente, graças a Deus...
Fui recebida por um enfermeiro que olhou para mim e perguntou: "Está cheia de contracções?" respondi afirmativamente, perguntou o tempo de gestação e mandou-me despir da cintura para baixo e deitar na maca, para ele fazer o toque e ver como eu estava...

Assim fiz, ele fez o toque e muito rápidamente diz: "Dispa-se completamente, vista esta bata, ponha a sua roupa no saco e vá entregar os seus pertences ao seu marido, você já não sai, está com 4 a 5 cm de dilatação"

Mas como podia ser 4 a 5 cm de dilatação, se as dores tinham começado à bem pouco tempo atrás?!? pensei eu...

Fui entregar a roupa ao marido, que ficou logo aflito
voltei para dentro, trataram do meu internamento, levaram-me para a sala de dilatação, puseram-me o soro, novo toque e 6 cm de dilatação...
dores e mais dores, e tudo a avançar muito rápidamente, pedi a presença do marido, foram chamá-lo, perguntaram se queria epidural, respondi que sim, veio a anestesista aplicar... passados 30 min +/-, dores mais que muitas e a epidural nada de fazer efeito...
queixei-me á enfermeira, respondeu que ia falar com a anestesista para ver o que poderiam fazer...Quando voltou, novo toque, mas desta feita, para provocar o dilúvio... sim, rebentou-me as águas, e disse que já me vinha aplicar o reforço da epidural.
Aplicou e aí sim... foi o céu!!! sentia apenas uma pressão quando vinha a contracção mas dores nada...
com tudo isto as horas foram passando, e ela sugeriu que eu e o marido tentassemos descansar e que logo voltava para ver como evoluiam as coisas...Assim fizemos, passadas 2 ou 3 horas, voltou, acompanhada de mais 2 enfermeiras, novo toque e 8 cm...
tava quase, quase... novo reforço da epidural e vamos aguardar mais um pouco até aos 10 cm para seguirmos para a sala de partos...Tentamos descansar novamente mais um pouco, e daí a mais 2 ou 3 horas voltaram as mesmas 3 enfermeiras, que me fazem o toque e 10 cm de dilatação, ou seja tava na hora, cabeça do bebé encaixada e baixa, mas a mamã sem vontade alguma de fazer força...

Aí sim, começou o martírio... elas foram chamar o médico para avaliar a situação que me disse que o menino estava mesmo ali, e que eu tinha que fazer força desse por onde desse... mas qual força? eu não tinha força... tinha imensas dores, estava muito nervosa... mas força? que é isso? por esta altura o efeito da epidural já havia desaparecido, para ainda piorar as coisas um pouco mais...
fomos para a sala de partos... tinha um monte de gente ao meu redor, mandaram o marido se sentar, preparam-me e mandaram-me fazer força, eu bem fazia, mas só diziam que era insuficiente... mas eu já não podia mais, já chorava de desespero...
depois, veio um enfermeiro que disse que quando viesse a contracção que me ia ajudar, mas a ajuda dele custou-me horrores... com um braço em cima da minha barriga tentava empurrar o meu filho para este nascer.. fez-me isto umas 3 vezes, vinha a contracção eu fazia força sabe-se lá como, e ele empurrava... fizeram-me a episiotomia (que não senti) e depois só oiço: "Não faça mais força, puxe o seu filho!" quando olhei, já o tinha com a cabeça e ombros de fora, e num reflexo puxei-o para mim, para o meu peito... abracei-o logo enchi-o de beijos e no meio de tanto choro, só dizia; "Ai o meu filho, ai o meu filho..." Sem dúvida, o momento mais feliz da minha vida, não há palavras que o possam descrever

Nasceu assim, o Pedro Afonso no dia 24/07/2011 às 06:49, lindo e perfeito...
perguntaram ao marido se queria cortar o cordão, olhei para ele, e vi que lá no cantinho dele, estava silenciosamente a chorar...
levantou-se para então cortar o cordão, cortou, e ficamos assim os 3... abraçados!

Levaram o Pedrinho para uma mesa ao lado, para o limpar e vestir, mas depois disseram que o tinham que levar porque ele estava com muito frio, que o tinham que aquecer, mas que já mo traziam...
Fiquei a ser cosida e depois fui para o recobro, já não deixaram o marido ficar mais comigo, porque eu tinha que descansar, ele então veio a casa tomar um banho e comer, porque o horário das visitas dos papás era já às 12h e ele queria lá estar...
assim foi, eu fui para o recobro, pouco depois vieram trazer o Pedrinho, já quentinho para mamar, mamou...
subimos para a enfermaria...
A estadia foi muito agradável, tivemos alta dia 26/07/2011...E pronto, correu tudo bem, somos agora o que se pode chamar de UMA FAMÍLIA COMPLETA E FELIZ!!!


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