PROMOÇÃO, PROTECÇÃO E APOIO AO ALEITAMENTO MATERNO NA COMUNIDADE
Objectivos – Dar a conhecer as estratégias com sucesso comprovado na promoção, protecção e apoio ao aleitamento materno (AM) para incentivar a intervenção nessa àrea.
Beneficios do AM
O AM é visto como um estilo de vida saudável pelos beneficios que traz para o bebé, mãe, família e sociedade. Em Portugal o Plano Nacional de Saúde recomenda o incentivo da prática do AM e aponta uma meta para 2010 de mais de 50% das mulheres que amamentam até aos 3 meses.
Para isso se concretizar é necessário formar e colocar em prática uma série de inciativas, como por exemplo, como cita um estudo realizado na Brasil, com um programa adoptado:
1) Dar a conhecer os beneficios/vantagens do AM para o bebé e a mãe;
2) A sua importância e porquê prolongar até aos 2 anos ou mais;
3) A produção do Leite Materno (LM);
4) Os riscos do uso de biberão e chupeta;
5) A importância do posicionamento do bebé e pega correcta;
6) Extracção e armazenamento do LM para compatibilizar AM e emprego.
Relativamente ao apoio emocional:
1) Ouvir as preocupações, dúvidas e problemas;
2) Motivar as grávidas e mães a partilhar a sua experiência;
3) Apoiar no processo de auto-confiança na capacidade de amamentar;
4) Mto importante, envolver as famílias no apoio ao AM
Os factores de influência
O papel da família é predominante na decisão da grávida amamentar. Vários estudos apontam que devemos encarar a família como um elemento fundamental, para quando surgirem os primeiros problemas ajudarem a solucionar e a apoiar a continuação do AM, uma vez que este período de gravidez e maternidade implica o desenvolvimento de novos papéis, e constitui uma crise normativa, havendo dificuldades iniciais no estabelecimento do AM (problemas com mama, posicionamento e pega). Assim, o papel do pai pró-activo e de partilha de soluções contribuirá para o sucesso do AM.
Como vemos, o papel principal nesta matéria não está reservado para os profissionais de saúde, uma vez que passam muito pouco tempo com as mães/grávidas. Este tempo não é suficiente para garantir a adesão prolongada das mães a esta prática, que vai ser consolidada em outro ambiente, na família. As famílias tendem a passar de geração em geração a experiência do AM, por isso torna-se de carácter cultural e familiar.
Num estudo dos EUA, as razões mais apontadas para a substituição por leite artificial foram:
1) A percepção da mãe sobre a atitude do pai relativamente ao AM;
2) A incerteza quanto à produção suficiente de LM;
3) O regresso ao emprego;
Outro estudo indica a necessidade dos dual-career marriages (quando ambos os elementos do casal atribuem elevada importância ao desempenho profissional e têm objectivos de carreira muito definitos, dedicam-se ao trabalho como um aspecto de valorização pessoal) que afirman ser muito mais vantajosos e custo-efectivo educar estes pais ao invés de utilizar voluntários ou profissionais de saúde no apoio ao AM, pelo beneficio acrescido do apoio emocional que prestam e pela continuidade de cuidados que asseguram.
Outro elemento importante dentro da família que influencia muito a decisão de amamentar, é a avó materna/paterna, que pode ser positiva ou negativa. A ajuda que prestam é fundamental no processo de prolongamento do AM.
Esta prática de AM só se concretiza se a mãe estiver decidir concretamente amamentar. Esta decisão pode ocorrer antes mesmo de engravidar, ou durante a gravidez e até no parto.
O aspecto cultural também é muito importante na decisão. Por exemplo, em Hong Kong as mulheres não podem ter uma ligação muito forte com o bebé, sendo que a licença de maternidade é apenas de 6 semanas, o que socialmente as faz ter uma visão muito limitada sobre o AM.
Ainda em relação as iniciativas que devem ser implementadas, um estudo realizado por Guise mostra que a intervenção mais efectiva a curto prazo foi a Educação para a Saúde em AM, mas que a longo prazo é eficaz se não for inserida a família e o fortaecimento da auto-confiança da mãe. Assim sendo, os programas que associam uma componente de conhecimento mais uma componente de aprendizagem prática são considerados os mais efectivos para pelo menos AM até aos 3 meses.
O último factor que não deve ser esquecido é a influência do pediatra, que também afirma que a educação dos casais antes e depois do nascimento é essencial para o AM.
Desmame precoce
É considerado um processo social e por isso devemos analisar as causas que contribuem para a interrupção (curtas durante horas até se prolongar a dias, que termina no desmame definitivo).
Um estudo brasileiro apontou as seguintes causas:
1) Baixa escolaridade materna;
2) Ausência de orientação durante a gravidez;
3) Falta de apoio do marido;
4) Ausência de empregada doméstica ou de familiares para auxiliar na lida da casa;
Outro estudo indicou:
1) O choro do bebé;
2) O regresso ao emprego;
3) Leite insuficiente ou ausente;
As mulheres admitiram ser uma questão de decisão, mais realizado pelas mães, do que por culpa das reacções do bebé.
Assim concluimos que os factores de risco do desmame precoce estão mais relacionadas com a falta de informação sobre AM durante a gravidez, o parto e o pós parto, mais do que com o regresso ao trabalho.
Estratégias de promoção do AM
As visitas podem ter de passar como sugerem alguns autores por visitas domiciliárias, sessões de grupo, consultas individuais, contactos telefónicos. Combinar 2 ou mais destas estratégias e o fornecimento de material impresso com orientações claras é a intervenção mais eficaz. Defendem ainda que nunca se deverá deixar de lado o apoio emocional e técnico essencial nas consultas pós-parto, devido a frustração que se desencadeia na mãe que quer amamentar e não o consegue fazer, criando na mãe um sentimento de culpa ilegitima. As visitas domiciliárias forma a forma mais eficaz dos profissionais de saúde prestarem apoio nesta fase. Esta estratégia permite ao profissional entrar em contacto com a realidade dos pais e observar em loco as dificuldades, possibilitando uma actuação imediata e personalizada.
Fonte: Pinto, T. V. Promoção, protecção e apoio ao aleitamento materno. Arquivos de medicina (2008), 22(2/3):57-68.
